GLOBAL: Circuncisão masculina – uma lotaria para as mulheres?
CIDADE DO MÉXICO, 8 Agosto 2008 (PlusNews) – Enquanto pesquisadores e activistas na 17ª Conferência Internacional de SIDA exortaram doadores e governos a aumentar os programas de circuncisão masculina, outros levantaram questões em relação ao que isso significará para as mulheres.
Em Março de 2007, a Organização Mundial da Saúde e o Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA (ONUSIDA) fizeram recomendações que autorizam a circuncisão masculina como uma estratégia de prevenção ao HIV, após estudos em Kisumu, no Quénia, e na comunidade de Orange Farm, na África do Sul, terem mostrado que o procedimento pode reduzir o risco de infecção em até 60 por cento.
Mas as recomendações também enfatizaram que não se sabe o suficiente para afirmar que a circuncisão masculina reduz a transmissão sexual de HIV de homens para mulheres, o que torna a intervenção “altamente problemática”, segundo Marge Berer, editora do periódico Assuntos de Saúde Reprodutiva (Reproductive Health Matters, em inglês), baseado em Londres.
“Da perspectiva de saúde pública, o que nos é dito é que um índice de proteção de 60 por cento [para os homens circuncidados] é muito melhor do que nada. Mas será que a circuncisão masculina é boa o bastante para as mulheres?”, indagou.
Um estudo com quase três mil homens entre 18 e 24 anos no Quénia comparou a função sexual entre homens circuncidados e não-circuncidados, avaliando sua satisfação sexual ao longo de dois anos. Os pesquisadores descobriram que o grupo dos homens circuncidados não apresentava índices mais altos de disfunção sexual do que o dos homens não-circuncidados.
Segundo John Krieger, da Universidade de Washington, em Seattle, os homens que foram circuncidados reportaram maior prazer sexual após a circuncisão, e consideraram mais fácil usar preservativo.
Além disso, novos resultados de uma iniciativa de circuncisão masculina implementada pelos Serviços Populacionais Internacionais na Zâmbia sugerem que a resistência cultural pode não representar uma barreira séria como se pensava anteriormente, e que é possível fazer os procedimentos com segurança e eficiência em locais mais pobres, utilizando enfermeiras e funcionários clínicos.
Tudo que eu ouço é sobre o que a circuncisão masculina fará para os homens, para a satisfação sexual masculina… mas e as mulheres? Qual é o envolvimento delas?
Representantes ouviram que a circuncisão também diminui o risco de homens contraírem o vírus do papiloma humano (HPV, em inglês) que causa verrugas genitais e tricomoníase, outra doença sexualmente transmissível comum.
E as mulheres?
“Tudo que eu ouço [na conferência] é sobre o que isso fará para os homens, para a satisfação sexual masculina… mas e as mulheres? Qual é o envolvimento delas?”, comentou Siphiwe Hlope, fundadora da Suazis por uma Vida Positiva (SWAPOL, em inglês), uma organização de apoio à SIDA.
Nicolai Lohse, um pesquisador do ONUSIDA, disse que o modelo matemático mostrou que as mulheres iriam beneficiar-se da circuncisão masculina se ela não representasse queda no uso de preservativo em mais de 65 por cento. O risco de mulheres contraírem HIV também reduziria se os programas de circuncisão levassem a menos homens seropositivos na população. O risco de infecção das mulheres cairia em dois por cento se apenas cinco por cento dos homens fossem circuncidados, e em 20 por cento se metade dos homens da população fossem circuncidados.
Ao mesmo tempo que Berer disse aos representantes que os benefícios potenciais da circuncisão masculina eram “uma lotaria muito grande” para as mulheres, vários países da África Austral já estão no processo de desenvolvimento de políticas nacionais sobre o procedimento.
“Nós temos que apoiar esses programas, eu não acho que temos escolha. Mas, pode-se questionar se esses programas têm uma responsabilidade com as mulheres”, disse Berer.
Ela sugeriu campanhas de expansão da circuncisão masculina que envolva casais e não foque apenas nos homens. Profissionais de defesa da saúde das mulheres também tiveram um papel na criação de políticas nacionais.
“Ninguém vai estender um tapete vermelho para o envolvimento das mulheres na circuncisão masculina… deixar de ser vítimas só depende das mulheres”, acrescentou.
PlusNews

Circuncisão masculina faz a glande ficar durmente, como aconteceu comigo. Mas, se for pra proteger de doenças, com certeza vale a pena.