CONFERÊNCIA MUNDIAL DO MÉXICO POPULARIZA O PRESERVATIVO FEMININO

O preservativo feminino em 15 anos de existência e, 7 conferências mundiais de Aids depois, teve certa visibilidade nas discussões de prevenção ao HIV/AIDS. O tema foi discutido em 10 sessões na programação paralela do vento, foi amplamente distribuído e fez parte da bolsa dos congressistas.

Na Aldeia Global, o preservativo feminino foi amplamente divulgado, dentro d área das mulheres. Nesse espaço, Maya Gokul, responsável pelo treinamento do preservativo feminino da Female Health company, fez demonstrações do uso correto do produto em um modelo pélvico para mais de mil pessoas por dia. “Estou muito feliz com o interesse das pessoas pelo preservativo feminino. Em mais de 10 anos de trabalho de divulgação do produto, nunca vi tanto interesse. Homens e mulheres, jovens e velhos, de diferentes países participaram do workshop. Todos queriam aprender sobre o preservativo feminino”, comemorou Maya. “Muitas pessoas me disseram que era a primeira vez que estavam vendo a camisinha, muitas nem sabiam de sua existência”, afirmou Maya.

Durante o workshop, a especialista em preservativo feminino demonstrava o jeito certo de abrir o preservativo –usando as mãos– como introduzi-lo na vagina, a importância de garantir a penetração do pênis dentro do anel externo, até a sua remoção. Ela ressaltava sempre a necessidade de se discutir com o parceiro o uso do preservativo feminino. Segundo Maya, na África do Sul, seu país, “se a mulher não conversar com o marido ou namorado sobre a sua decisão de usar o preservativo feminino, ela pode apanhar”.

A popularização do preservativo feminino não é uma tarefa fácil. Há muita resistência em relação ao produto que, segundo relatos, é muito barulhento, feio e de difícil uso. Durante uma das apresentações do produto, Henriete Edward Bertsen, da Noruega, foi muito enfática ao afirmar que detestou o produto quando usou com seu namorado. “Achei muito difícil de colocar, o material muito plástico e fiquei muito desconfortável. Resolvemos continuar usando a camisinha masculina”. A recomendação de Maya é que se use o produto três vezes antes de se ter uma opinião formada, isso porque tudo que é novo causa estranheza.

Já para Sophie Dilmits, portadora do HIV, o preservativo feminino trouxe mais tranqüilidade para sua vida sexual. “Não tem perigo de estourar como o masculino, nem do parceiro perder a ereção na hora de colocar a camisinha e não precisa ser retirado logo após a ejaculação”, relatou a representante da YMCA mundial.

Na próxima conferência Mundial de Aids, em 2010 que será realizada em Viena, se os esforços de acesso universal ao preservativo feminino forem alcançados, provavelmente mais mulheres poderão apresentar relatos sobre o produto.

Marina Pecoraro
A jornalista Marina Pecoraro viaja ao México e acompanha a XVII Conferência Internacional de Aids como repórter, em parceria com a Agência de Notícias da Aids e apoio do Female Health Company

~ por ethelfeldman em 9 Agosto, 2008.

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